Giovanni Frasson

Giovanni Frasson

Diretor Criativo de Moda
Diretor Criativo de Moda

Nas mais de 60 entrevistas feitas sobre Giovanni Frasson em seu livro, “dez mil novecentos e cinqüenta dias de moda”, recém esgotado em todas as livrarias do pais, muitas palavras se repetem – elegância, profissionalismo, generosidade. Algumas parecem até difíceis de definir uma mesma pessoa, mas se aplicam à sua personalidade exatamente com a mesma intensidade: sério e engraçado; acolhedor e assustador; doce e exigente. Giovanni é tudo isso, como demonstrou ao longo de sua sólida trajetória, na qual ajudou a construir a imagem da moda brasileira nas últimas três décadas. Mais que isso, escreveu alguns dos capítulos mais relevantes dessa história: participou ativamente do crescimento da Vogue no País; descobriu e impulsionou toda uma geração de modelos a partir dos anos 90, as “meninas do Brasil” (de Isabeli Fontana a Fernanda Tavares, não são poucas as que reconhecem que ele foi seu padrinho na profissão); assinou o styling de desfiles inesquecíveis de grifes como Rosa Chá, Colcci e Zoomp aqui e lá fora; orquestrou a primeira foto de Gisele Bündchen na Vogue; deu (e ainda dá) consultoria para marcas como Bobstore, Beneduci e Alphorria. É também exímio palestrante, daqueles que sabem combinar bons “causos” com informações valiosas, encantando plateias por onde passa.
Foram 27 anos de dedicação irrestrita à Vogue – durante todo o período, ficou afastado por apenas um ano, quando a crise econômica da era Collor enxugou a equipe da revista temporariamente, e ele foi trabalhar com Fatima Ali na Nova. De volta à Vogue, Giovanni não parou de crescer. Com a diretora de moda Gisela Porto, nos anos de 1994 ganhou asas próprias. “Ela era muito generosa, próxima e me dava muita liberdade à equipe”, lembra. O primeiro ensaio já como editor, foi pura inovação: mostrava a jornalista Valéria Monteiro com os personagens do filme A Bela e a Fera, que estreava no Brasil, numa fusão de imagens feita com tecnologia de cinema, numa época pré-Photoshop.
A partir daí, não faltou ousadia ao trabalho de Giovanni: deitou Alexandre Herchcovitch num caixão, simulando o enterro do estilista mais transgressor dos anos 90; usou ícones da terceira idade paulistana como modelos; transformou Costanza Pascolato num anjo punk, com asas e tudo mais; colocou Monique Evans nua num carrossel; fez Naomi Campbell posar na quadra da Portela às vésperas do Carnaval; vestiu Carolina Ferraz de homem em um de tantos ensaios que fez com a atriz. Para executar seus editoriais de sonhos, treinou uma legião de assistentes, um grupo eclético que hoje atua nas mais diversas áreas da moda e faz questão de dar crédito ao mentor dos primeiros anos de carreira– entre eles estão os estilistas Dudu Bertholini, Sandro Barros e André Lima; o stylist Daniel Ueda; a fotógrafa Debby Gram; o editor Sylvain Justum. Seus “Giovanismos”, como batizaram os jovens produtores, nunca tiveram limites: ao longo dos anos, ele fotografou suas modelos no Cristo Redentor, num submarino, num porta-aviões e até no Rolls-Royce presidencial em Brasília. Com seus pupilos, Giovanni sempre foi dos profissionais mais generosos, passando adiante seu amplo conhecimento sobre silhueta e tecidos que acumulou ao longo da trajetória da autodidata – ele nunca estudou moda: fez economia e publicidade, mas acabou abandonando os dois cursos no meio em nome da carreira que deslanchava. Também rodou o mundo: conduziu editoriais em Cuba, Marrocos, Japão, Israel. Frequentando as semanas de moda internacionais, tornou-se figura das mais respeitadas nas capitais mundiais da moda e logo passou a trabalhar com os mais incensados profissionais, entre modelos, fotógrafos e beauty artists. Já teve ensaios clicados por Mario Testino, Patrick Demarchelier, Giampaolo Sgura, Miro. E já esteve no set com todas as tops – Gisele Büdchen, Naomi Campbell, Alesandra Ambrosio, Isabeli Fontana, Natasha Poly, Eva Herzigova. Nem Sharon Stone escapou de Giovanni – em maio de 2012, ele foi convocado pela diretora de redação Daniela Falcão, com quem formou dobradinha histórica nas páginas de Vogue entre 2005 e 2014, para clicar a superstar em Los Angeles.