O debate sobre o mercado brasileiro de exibição contou com a presença de Jorge Peregrino, Presidente do Sindicato dos Distribuidores; Nelson Krumholz, Diretor e um dos fundadores do Grupo Estação e de Mario Diamante, Diretor da Ancine.
Jorge Peregrino apresentou dados sobre o mercado nos dez últimos anos. Diz que o mercado brasileiro tem uma base de produção boa verba e financiamento, mas sem ter ainda um mercado de distribuição que o acompanhe. Entre diversos dados, apresentou um crescimento do Box Office de 189 milhões em 1999 para 403 milhões em 2008.
Mario Diamante fez uma apresentação sobre o parque exibidor de cinema no Brasil com uma perspectiva histórica. Mostrando um quadro diagnóstico do mercado de exibição brasileiro, começou dizendo que em 1970, o cinema era entretenimento de massa, custava pouco e era um dos principais lazeres da população. Com a inflação da década de 80, aconteceu uma queda no serviço de exibição, que teve também uma diminuição de investimentos como em muitos setores da economia. Em 1990, com o plano real teria ajudado a uma retomada do crescimento, mas tendo que se adaptar a um novo modelo de exibição que estava surgindo: as salas multiplex. Este novo modelo gerou uma concorrência por um serviço de alta qualidade e corrida por ofertas de melhores serviços.
Segundo Diamante, se o mercado de exibição tivesse acompanhado os números de 1975, com 3276 salas e 275 milhões de bilhetes vendidos, o retrato atual do segmento seria outro. A esta retração, foram apresentados diversos aspectos, entre eles a urbanização acelerada e mais evidente que seria a mudança tecnológica e no hábito do consumo, que agora teria como concorrente do cinema, a TV Paga, videocassete, DVD, internet, dentre outros.
Nelson Krumholz começou dizendo que há 25 anos atrás, o filme “Dona Flor” teve 10 ou 12 milhões de espectadores e que atualmente para ser considerado um sucesso, o filme não precisa passar muito de 1 milhão. Mas estes dados referem-se somente ao público, pois em lucro, os ganhos continuam o mesmo. O que mudou foi o perfil do consumidor e o poder aquisitivo do público de cinema.
Para Nelson, a relação do público com o cinema mudou. Citou com o exemplo o filme “A Gruta”, apresentando no Festival do Rio deste ano, que tinha como proposta ser interativo. Cada pessoa recebeu um controle remoto, por onde optava o caminho que gostaria que o filme seguisse e por uma votação geral, a estória teve um resultado e andamento totalmente composto pelo total de pessoas presentes na sala. Sucesso total de público com salas lotadas.
O público em potencial do cinema é jovem, tem menos de 30 anos e não quer mais saber de não poder decidir, editar, opiniar, usar e remasterizar as informações que recebe. Como disse Nadia Rebouças no Seminário “Cinema que Mídia é essa” no dia 2, deve-se pensar não mais em um público consumidor, mas em um interlocutor. “As pessoas não querem mais assistir nada e sim fazer parte das coisas”, afirma Nádia Rebouças.

O debate sobre o mercado brasileiro de exibição teve como foco a apresentação do histórico dos últimos 10 anos e possibilidades de novos rumos para seu crescimento. O seminário contou com a presença de Jorge Peregrino, Presidente do Sindicato dos Distribuidores; Nelson Krumholz, Diretor e um dos fundadores do Grupo Estação e de Mario Diamante, Diretor da Ancine. (mais…)